Segundo a PORDATA, com dados do Eurostat, a produtividade por hora trabalhada em Portugal foi de 66,9 em 2025, numa escala em que a média da UE27 vale 100. Ao mesmo tempo, os portugueses trabalharam em média 39,7 horas por semana, o 5.º valor mais alto da União Europeia, quando a média europeia foi de 37 horas. Trabalhamos mais e produzimos menos por cada hora.
Este não é um problema só do país. É um problema que vejo dentro das empresas, todas as semanas. Equipas ocupadas, empresários exaustos e, no fim do mês, resultados que não refletem o esforço. Na maior parte dos casos, a causa não é falta de dedicação. É falta de medição: a empresa mede o que é fácil, como horas e presença, e não o que importa, como resultados.
O que os números nos dizem sobre a forma como trabalhamos
Há mais dados que ajudam a perceber o quadro. A PORDATA indica que, em 2024, a produtividade do trabalho em Portugal foi de 47,7 mil euros por trabalhador, a 19.ª mais baixa da UE. Para comparação, a Irlanda registou 194,4 mil euros e a Bulgária 26 mil. Nas horas semanais, os Países Baixos ficaram nos 31,5, a Dinamarca nos 33,6 e a Alemanha nos 34,8.
Há também um dado encorajador: entre 2020 e 2024, o PIB per capita cresceu 40% em termos nominais e 10% em termos reais, o 6.º maior crescimento da UE. Ou seja, há progresso. A pergunta para cada empresa é se esse progresso está a acontecer lá dentro, e como é que sabe.
Como engenheiro, aprendi uma regra simples: um sistema que não é medido não pode ser melhorado de forma consistente. Numa empresa, isto aplica-se tanto a uma máquina como a uma equipa comercial.
Horas não são resultados
O erro mais comum é confundir atividade com produtividade. Imagine uma equipa de 6 pessoas num gabinete de contabilidade. Todos chegam cedo, saem tarde e respondem a emails ao fim de semana. O empresário sente que a equipa trabalha muito, e trabalha. Mas se perguntar quantos processos cada pessoa fechou por semana, quanto tempo demora em média um fecho mensal ou que percentagem do trabalho teve de ser refeito, ninguém sabe responder.
Sem esses números, só há duas alavancas visíveis: pedir mais horas ou contratar mais pessoas. Ambas aumentam o custo. Nenhuma garante mais resultado. E, com a dificuldade atual em recrutar, a segunda nem sempre está disponível.
Como escolher os indicadores certos
Um bom indicador de equipa tem quatro características:
- Mede um resultado, não um esforço: encomendas expedidas, propostas enviadas, tickets resolvidos, e não horas registadas.
- Depende da equipa que o acompanha: uma pessoa deve sentir que consegue mexer no número com o seu trabalho.
- É fácil de recolher: se exige duas horas de folha de cálculo por semana, vai deixar de ser recolhido.
- Tem uma meta e um ponto de partida: um número sem referência não diz se a semana correu bem ou mal.
Para cada função, recomendo escolher no máximo três indicadores. Um de volume (quanto foi feito), um de qualidade (quanto foi bem feito à primeira) e um de tempo (quanto demorou). Mais do que três e a equipa deixa de saber o que é prioritário.
Exemplos por área
- Comercial: número de propostas enviadas, taxa de conversão, valor médio por venda.
- Produção ou operações: unidades produzidas por hora, percentagem de retrabalho, cumprimento de prazos de entrega.
- Serviço ao cliente: pedidos resolvidos no primeiro contacto, tempo médio de resposta, reclamações por cada 100 pedidos.
- Administrativo e financeiro: prazo médio de recebimentos, faturas emitidas no próprio dia, dias para fechar o mês.
A rotina que transforma números em melhoria
Medir sem rever é só burocracia. O que faz a diferença é a rotina. Na ActionCOACH chamamos-lhe accountability: cada pessoa sabe o que se comprometeu a fazer, o número está visível e há um momento fixo para olhar para ele em conjunto.
Uma rotina simples que funciona na maioria das PME:
- Quadro da equipa: uma folha ou um ecrã com os indicadores de cada área, atualizado pelo responsável de cada número.
- Reunião semanal de 20 minutos: sempre no mesmo dia e hora, de pé se possível. Cada responsável diz o número, a meta e o que vai fazer na semana seguinte.
- Revisão trimestral: a cada 90 dias, decidir que indicadores se mantêm, que metas sobem e que processos têm de mudar.
Na reunião semanal, a regra é falar de números e de ações, não de culpas. Quando um indicador falha, a pergunta é «o que é que o sistema permitiu que acontecesse?» e não «quem é que falhou?». Isto é o que distingue uma equipa que melhora de uma equipa que se defende.
O papel do empresário
Vejo muitas vezes empresários que querem uma equipa autónoma mas continuam a ser a única pessoa que sabe como está o negócio. Partilhar os números, com a equipa toda, é a forma mais rápida de criar responsabilidade. Ninguém se sente dono de um resultado que não conhece.
É também o primeiro passo para um negócio comercial e lucrativo que funciona sem si. Se os números estão visíveis e a rotina está montada, a empresa não depende de o empresário estar presente para saber se a semana correu bem.
Uma ação para esta semana
Escolha uma única área da empresa e defina com essa equipa três indicadores: um de volume, um de qualidade e um de tempo. Registe o valor desta semana como ponto de partida e marque uma reunião de 20 minutos para a próxima semana, no mesmo dia e hora, para comparar. Não precisa de software novo. Uma folha na parede chega para começar.
Se quiser ajuda para desenhar os indicadores e a rotina de accountability da sua equipa, a equipa ActionCOACH Porto terá gosto em conversar consigo. É um dos primeiros trabalhos que fazemos no Coaching 1:1 e no Workshop: Clareza e Alinhamento.