Segundo o INE, em 2024 nasceram em Portugal 246.589 empresas. No mesmo ano, 73,8% das empresas sobreviviam um ano após o nascimento, mas só 47,7% chegavam ao fim do terceiro ano, menos 1,2 pontos percentuais que no ano anterior. Mais de metade dos negócios que abrem fecham antes de completar três anos.
Este número não me surpreende. Nos meus anos de coaching, a maior parte dos empresários que conheço em dificuldades nos primeiros anos não tem um mau produto. Tem um bom produto e um negócio mal desenhado. Sabem fazer o trabalho técnico, mas ninguém lhes mostrou como se gere uma empresa. A boa notícia é que gestão aprende-se, e as empresas que sobrevivem fazem coisas concretas que qualquer pessoa pode copiar.
O contexto: muita gente a começar, menos a continuar
Os dados mais recentes mostram um ambiente de muita criação e alguma fragilidade. O barómetro da Informa D&B registou em 2025 um recorde de 20 anos na criação de empresas, com 53.030 novas empresas. Mas em 2026, até julho, a constituição de empresas caiu 4,2% e as insolvências subiram 5%, com 1.216 novos processos. Também segundo o INE, em 2024 morreram cerca de 186.707 empresas.
Ou seja: abrir uma empresa é relativamente fácil. Mantê-la viva e lucrativa é outra conversa. O período entre o primeiro e o terceiro ano é onde se decide a maior parte do jogo.
Porque é que as empresas não chegam aos 3 anos
Quando analiso negócios jovens que estão em risco, encontro quase sempre uma combinação destes fatores:
- Falta de tesouraria: a empresa tem lucro no papel, mas não tem dinheiro na conta porque os clientes pagam tarde.
- Dependência de poucos clientes: um ou dois clientes representam a maior parte da faturação.
- Preços mal calculados: o preço foi definido a olhar para a concorrência e não para os custos e para a margem.
- Ausência de sistema comercial: as vendas acontecem por recomendação e não há forma previsível de gerar novos contactos.
- O empresário faz tudo: não há tempo para pensar no negócio porque o dia é todo passado dentro dele.
Nenhum destes problemas é técnico. São todos problemas de gestão, e todos se resolvem com sistemas simples aplicados com disciplina.
O que fazem as empresas que sobrevivem
Conhecem os números todas as semanas
As empresas que passam a fasquia dos 3 anos sabem quanto venderam, quanto têm a receber, quanto têm de pagar e quanto dinheiro terão daqui a 13 semanas. Não esperam pelo contabilista no fim do trimestre. Uma folha de tesouraria semanal é o instrumento mais simples e mais subestimado de uma empresa jovem.
Definem um nicho claro
No início é tentador aceitar qualquer cliente. As empresas que sobrevivem escolhem um nicho, ou seja, um tipo de cliente para quem são claramente a melhor opção. Na metodologia ActionCOACH, o Nicho é o segundo dos 6 passos do sucesso empresarial, logo a seguir à Mestria. Sem ele, a empresa compete apenas pelo preço.
Trabalham os 5 Caminhos para o lucro
O lucro de uma empresa depende de cinco alavancas: número de leads, taxa de conversão, número de transações por cliente, valor médio por venda e margem. As empresas jovens tendem a concentrar-se só na primeira, procurar mais clientes. As que sobrevivem trabalham as cinco. Imagine uma empresa hipotética que melhora cada uma destas alavancas em apenas 10%. Como os efeitos se multiplicam, o lucro cresce muito mais do que 10%.
Têm um plano de 90 dias
Um plano anual é útil, mas para uma empresa jovem um ano é demasiado tempo. Um plano de 90 dias, com três a cinco metas numéricas e responsáveis claros, permite corrigir o rumo depressa. Ao fim de cada trimestre revê-se o que funcionou e o que não funcionou.
Procuram accountability
O empresário que trabalha sozinho não tem ninguém que lhe pergunte, na sexta-feira, se fez o que disse que ia fazer na segunda. As empresas que sobrevivem criam esse mecanismo: um sócio, um conselho consultivo, um coach. Alguém que exige cumprimento.
Checklist do empresário nos primeiros 3 anos
- Tenho uma previsão de tesouraria a 13 semanas, atualizada todas as semanas?
- Nenhum cliente representa mais de 25% da minha faturação?
- Sei a margem bruta de cada produto ou serviço?
- Sei de onde vêm os meus leads e quanto me custa cada um?
- Tenho metas escritas para os próximos 90 dias?
- Reservo pelo menos meio dia por semana para trabalhar no negócio, e não só dentro dele?
Se respondeu "não" a mais de duas, já sabe por onde começar.
A ação desta semana
Abra uma folha de cálculo e faça a sua primeira previsão de tesouraria a 13 semanas. Em cada coluna, uma semana. Nas linhas, o saldo inicial, os recebimentos previstos, os pagamentos previstos e o saldo final. Vai demorar uma hora. No fim, saberá em que semana poderá ter um problema, e ainda terá tempo para o evitar.
Se está nos primeiros anos do seu negócio e quer construir bases sólidas, a equipa ActionCOACH Porto está disponível para uma conversa sem compromisso. No Workshop: Planeamento 90 Dias ajudamos empresários a transformar intenções em metas e rotinas concretas.